O período junino concentra suas principais atividades de 13 a 29 de junho, mas a movimentação nas feiras livres de Vitória da Conquista começa bem antes dessa data. Em meados de maio, os apreciadores das comidas e bebidas típicas juninas já iniciam a busca por frutas para fazer licor e quentão, a exemplo de abacaxi, jenipapo, gengibre, laranja, tangerina e milho verde.

Vitória da Conquista tem cinco feiras livres administradas pelo município, as quais concentram aproximadamente 1.600 boxes, a maioria concentrada na Central de Abastecimento Edmundo Flores (Ceasa), considerada a maior e principalfeira livre do município.

Ceasa
Localizada no Centro da cidade, a Ceasa dispõe de uma infinidade de ingredientes e alimentos típicos juninos essenciais para a produção de receitas típicas como milho, amendoim, gengibre, abacaxi, laranja, tangerina e mandioca, além dos tradicionais biscoitos conquistenses. Com a proximidade dos festejos juninos, a procura por esses alimentos cresce de forma significativa.
Edinaldo Santos atua como comerciante de milho e amendoim na Ceasa há cinco anos, e relata que no mês de junho a procura aumenta bastante: “A demanda cresce mesmo a partir do dia 18 de junho. Antes, a procura é gradativa. No ano passado mesmo foi um retorno agradável, gratificante. Esse ano a gente já não sabe, mas espera que seja ainda melhor!”.
Alan Santos Fernandes é feirante há cerca de seis anos e também já se preparou para o aumento das vendas, que se intensificam a partir do final de maio: “Geralmente nessa época aumenta bastante a procura, principalmente pelo gengibre, pelo amendoim e a tangerina”.
A Ceasa também concentra o maior número de boxes de biscoitos, um dos produtos mais tradicionais da cidade. Ao todo, cerca de 200 boxes atuam com a comercialização de biscoitos, beijus e goma de mandioca. Entre os sabores mais procurados nesta época estão o tradicional biscoito avoador, chimango, o palitinho de coco e o biscoito de goma.

Marileide
Marileide Silva Bonfim trabalha com a venda de biscoitos há cerca de 30 anos e está com grande expectativa para o período, que é o mais lucrativo do ano para o setor: “Geralmente, o maior movimento acontece de 20 a 23. É a maior venda que tem. Eu diria assim, melhor até do que no final de ano. Eu diria que aumenta assim, uns 50%”.
O trabalho começa muito antes do São João

Eduardo Castro
Mas se engana quem acha que o trabalho começa só no mês de junho.A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR) atua diretamente no suporte aos agricultores inscritos nos programas de incentivo à agricultura familiar, responsável pela produção de alimentos típicos do período junino, como a laranja e a tangerina. Para garantir uma oferta maior de frutas cítricas e renda extra aos produtores, a SMDR realiza, por meio do projeto Citrus do Futuro, a distribuição de mudas de laranja, limão e tangerina, além de suporte técnico para manejo e controle de pragas, conforme explica o coordenador de Fomento à Agricultura Familiar, Eduardo Castro.
“No Citrus do Futuro, a secretaria doa até 600 mudas, ou seja, um hectare para cada agricultor. Nesse modelo, nós já ultrapassamos mais de 50.000 mudas e temos, aproximadamente, mais de 100 agricultores interessados. Além das mudas, a gente dá toda a assistência técnica desde o plantio até o acompanhamento”, disse.
A safra de frutas cítricas como a laranja e a tangerina se altera de acordo com as condições climáticas de cada região e da variedade da fruta. No Planalto da Conquista, geralmente a colheita começa a partir do mês de maio. A produtora da Lagoa das Flores, Fábia Carlete Rodrigues, é uma das contempladas pelo projeto Citrus do Futuro, desenvolvido pela SMDR. Ela relata estar otimista: “A minha expectativa é a melhor possível. No mês de junho, as vendas aumentam em média 20% e o projeto tem sido essencial para a valorização do produtor rural, principalmente pelo acompanhamento da equipe que é maravilhosa”, ressaltou.
Outra importante ação da Secretaria de Desenvolvimento Rural é a entrega gratuita de 5 kg de sementes de milho para pequenos agricultores cadastrados no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). A ação tem como objetivo apoiar a subsistência dos agricultores familiares em todo o município e deve beneficiar cerca de mil famílias com 5 kg de sementes cada uma. Este ano, a entrega do milho teve início em março.
O milho é uma das matérias-primas mais utilizadas nas receitas tradicionais como pamonha, mingau, bolo e canjica, e geralmente começa a ser plantado no mês de março. Agricultor do Povoado da Limeira, Paulo Oliveira é produtor de milho há cerca de dez anos e afirma que 90 dias antes da colheita, a produção aumenta para atender à demanda: “Nessa época aumenta bastante, é dobrado. Pra essa época, eu planto uns 5, 6 hectares”, afirmou.
O CAF é um programa de assistência do governo federal destinado a agricultores familiares.Apenas neste ano, foram realizadas 1.730 inscrições no município, alcançado um novo recorde. Através do programa, cada produtor recebe também uma indenização de R$1.200, somando um montante de 2,07 milhões de reais a serem distribuídos para pequenos agricultores da região.
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