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Internacional Guerra no Irã

Irã exige US$ 24 bilhões congelados para acordo de paz com EUA

Autoridades americanas temem que qualquer descongelamento de fundos neste momento possa remover um importante ponto de pressão sobre o regime

05/06/2026 16h58
Por: Redação
Irã exige US$ 24 bilhões congelados para acordo de paz com EUA

O acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã depende da aprovação do governo de Donald Trump para liberar US$ 24 bilhões (equivalente a cerca de R$ 122 bilhões) em ativos iranianos congelados, disse uma autoridade do Irã à CNN nesta sexta-feira (5).
"As negociações estão em um impasse e (o presidente dos EUA, Donald) Trump precisa romper esse impasse", disse Mohsen Rezaei, conselheiro militar do líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, à CNN em uma entrevista exclusiva em Teerã.
"A decisão está nas mãos de Trump", adicionou, alertando que os EUA "entrariam em um corredor escuro" caso retomassem os combates.
Segundo relatos, o Irã exigiu a liberação de US$ 12 bilhões (equivalente a cerca de R$ 61 bilhões) em fundos congelados assim que um acordo provisório for assinado com os EUA, e outros US$ 12 bilhões em um estágio posterior.
Autoridades americanas temem que qualquer descongelamento de fundos neste momento possa remover um importante ponto de pressão sobre o regime.
Trump exigiu que qualquer entendimento fosse muito mais robusto do que o acordo nuclear firmado em 2015 e que se evitasse qualquer coisa que pudesse ser interpretada como a entrega de "montanhas de dinheiro", uma expressão que ele usou para criticar a decisão do então presidente Barack Obama de conceder compensação financeira a Teerã.
Suas declarações têm peso porque ele permanece intimamente ligado ao aparato de segurança iraniano e é amplamente visto como próximo ao atual líder supremo, que não fez aparições públicas desde que foi ferido em um ataque israelense que matou o pai dele no primeiro dia da guerra.
Parte da velha guarda da Guarda Revolucionária Islâmica, Rezaei lutou na guerra Irã-Iraque e liderou a força de 1981 a 1997, ajudando-a a se tornar uma das instituições mais poderosas da República Islâmica.
Um pragmático linha-dura profundamente enraizado no aparato de segurança do Irã, ele posteriormente ingressou no Conselho de Discernimento do Interesse Público, que assessora o líder supremo, e atuou como vice-presidente sob o ex-presidente Ebrahim Raisi. Rezaei também concorreu à presidência quatro vezes, mas nunca venceu.
Liberação de ativos iranianos congelados
Mohsen Rezaei apresentou a exigência de liberação de ativos como uma medida para construir confiança, dizendo que isso seria “um novo horizonte para o futuro” do Irã e dos Estados Unidos.

“Se ele (Trump) quer chegar a um acordo com o Irã, esses US$ 24 bilhões são um teste de confiança que o Irã quer ter com Trump – este é um teste que os Estados Unidos devem passar e o caminho será aberto”, disse ele.
“Este é o nosso próprio dinheiro, não o dinheiro dos Estados Unidos", adicionou.

Aviso contra o retorno à guerra
Rezaei alertou ainda que o Irã “arrastará a guerra” para além do Golfo Pérsico se os EUA retomarem o conflito, potencialmente expandindo as operações militares do Estreito de Ormuz para o Oceano Índico, o Estreito de Bab el-Mandeb, o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo.
“Daremos outra dimensão à guerra atacando essas outras bases americanas que temos atacado até agora”, disse ele, acrescentando que “a possibilidade de guerra é baixa”.
Possível encontro entre Trump e Khamenei
O conselheiro não respondeu a uma pergunta sobre a saúde de Khamenei e seu papel na tomada de decisões do país, mas rejeitou as perspectivas de um encontro com Trump.
“Isso não acontecerá, agora estamos na primeira fase das negociações e o Sr. Trump paralisou as negociações. Isso não acontecerá", pontuou.
Nesta semana, Trump disse que ele e Khamenei “parecem estar se dando bem” e que seria uma “honra” encontrá-lo.

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