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agro Economia Internacional
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Por que estão dizendo que o pescoço da vaca é o futuro do agro?

março 24, 2026
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Por que estão dizendo que o pescoço da vaca é o futuro do agro?

A ideia parece curiosa à primeira vista, mas tem chamado atenção de investidores e especialistas do agronegócio. O motivo é o avanço de uma tecnologia que promete mudar a forma como o gado é manejado no campo.

A empresa neozelandesa Halter desenvolveu coleiras inteligentes com inteligência artificial que monitoram a saúde dos animais e controlam sua movimentação. A solução está no centro de uma nova rodada de interesse do mercado e pode levar a companhia a uma avaliação próxima de US$ 2 bilhões.

Entre os investidores está o Founders Fund, fundo ligado ao bilionário Peter Thiel, conhecido por investimentos iniciais em empresas como o Facebook.

O diferencial da tecnologia está na combinação de sensores, inteligência artificial e energia solar. As coleiras acompanham indicadores de saúde do rebanho em tempo real e permitem que o fazendeiro gerencie os animais diretamente pelo celular.

Na prática, é possível criar cercas virtuais que delimitam o espaço do gado sem a necessidade de estrutura física. O sistema utiliza estímulos para orientar os animais e mantém o rebanho dentro das áreas definidas. Ao mesmo tempo, coleta dados biológicos, como ciclos reprodutivos e sinais iniciais de doenças.

O resultado é um ganho relevante de eficiência, com redução de custos operacionais e menor dependência de mão de obra, além de decisões mais rápidas baseadas em dados.

A solução se encaixa no conceito de agricultura de precisão, que busca aumentar a produtividade no campo por meio de tecnologia. Mesmo assim, o crescimento da Halter chama atenção em um momento de retração do setor.

Os investimentos em empresas de tecnologia agrícola caíram significativamente nos últimos anos, saindo de US$ 54 bilhões em 2021 para cerca de US$ 15 bilhões em 2023. Diversas startups não conseguiram sustentar suas operações nesse cenário mais restritivo.

É nesse contexto que surge a pergunta que tem circulado no mercado. Se a próxima revolução do agro passa por dados, automação e eficiência, talvez ela esteja menos nas máquinas e mais na forma como cada animal é monitorado. E isso ajuda a explicar por que, para alguns investidores, o futuro do setor pode começar exatamente no pescoço da vaca.

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