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Economia Tarifaço

EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; Pix e desmatamento estão no centro da disputa

Washington acusa o Brasil de práticas comerciais desleais

04/06/2026 10h29
Por: Redação
EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; Pix e desmatamento estão no centro da disputa

O governo dos Estados Unidos lançou uma bomba sobre a relação comercial com o Brasil: o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) anunciou que poderá taxar importações brasileiras com uma nova tarifa punitiva de 25%, alegando que algumas práticas do Brasil são desleais. A medida, divulgada na segunda-feira (1º), provocou reação imediata do governo Lula e abriu uma das crises diplomáticas mais sérias entre os dois países nos últimos anos. Agência Brasil
O que os EUA estão acusando o Brasil
Entre as práticas citadas pelo USTR estão o comércio digital e o desmatamento ilegal. A justificativa para aplicar a medida é uma investigação, aberta em julho de 2025, que concluiu que políticas e práticas brasileiras são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem" o comércio norte-americano. Agência Brasil
O órgão apontou supostas práticas brasileiras que estariam prejudicando empresas dos Estados Unidos, citando temas como o Pix, desmatamento ilegal, pirataria, propriedade intelectual e aplicação de leis anticorrupção. ND Mais
No caso do Pix especificamente, na avaliação dos Estados Unidos, haveria um conflito de interesse pelo fato de o Banco Central atuar simultaneamente como operador do sistema de pagamentos instantâneos e regulador do sistema financeiro nacional. Ultimasnoticias
Quais produtos estão isentos das tarifas
Nem tudo será taxado. Alguns produtos brasileiros foram excluídos da sobretaxa, incluindo frutas, café, carnes bovinas, medicamentos e componentes da aviação civil. A decisão de isentar esses itens foi motivada pelo interesse do governo americano em evitar escassez no abastecimento interno. Credited
A reação do governo Lula: Pix não está à venda
A resposta de Brasília veio em tom firme. Depois de uma reunião de emergência no Palácto do Planalto, ministros afirmaram que o Pix está fora de qualquer negociação com Washington e classificaram como injustificadas as alegações apresentadas pelo governo norte-americano. Poder360
O vice-presidente Geraldo Alckmin liderou a ofensiva diplomática e rebateu ponto a ponto as acusações americanas. Disse que o Pix é um "patrimônio nacional" e que não discrimina empresas estrangeiras. Também afirmou que os acordos comerciais do Mercosul com Índia e México não restringem a entrada de produtos dos Estados Unidos no mercado brasileiro. Poder360
Sobre o argumento ambiental, Alckmin citou queda superior a 50% no desmatamento da Amazônia e o compromisso de zerar o desmatamento até 2030. Em propriedade intelectual, destacou que empresas americanas são as maiores beneficiárias do sistema nacional de patentes. ND Mais
O governo também trouxe à tona dados que contrariam a narrativa americana sobre desequilíbrio comercial. Segundo Alckmin, o superávit norte-americano em bens e serviços nas relações com o Brasil supera US$ 400 bilhões nos últimos 15 anos. E o Planalto afirmou que a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4% em 2026. Poder360ND Mais
Motivação política? Planalto cita Bolsonaro
Em nota, o Palácio do Planalto disse que são injustificadas as acusações feitas pelo USTR e afirmou que a apuração tem "motivação política". O governo também mencionou a atuação de aliados de Jair Bolsonaro no processo, sugerindo que pressões políticas externas influenciaram a investigação americana. ND Mais
O que vem por aí  e o que o Brasil pode fazer
O processo inclui envio de comentários até 1º de julho e audiência pública em 6 de julho, enquanto seguem as negociações com o governo brasileiro. O prazo legal para a eventual adoção da nova tarifa é 15 de julho de 2026. Agência Brasil
O Brasil poderá recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, caso considere que eventuais medidas adotadas pelos Estados Unidos sejam incompatíveis com as normas do comércio internacional. Ultimasnoticias
Nos bastidores, a avaliação interna no Planalto é que a proposta de tarifa de 25% tem como objetivo fortalecer a posição negociadora dos Estados Unidos antes do prazo final das conversas bilaterais. A leitura é que Washington elevou o tom para obter concessões  e não necessariamente que a tarifa será aplicada em sua totalidade. Poder360
Um precedente preocupante
O episódio atual ecoa o que aconteceu em 2025. Em ordem executiva, Donald Trump oficializou taxas de 50% sobre produtos brasileiros, ao mesmo tempo em que poupou quase 700 produtos brasileiros das tarifas, entre itens com alto volume de exportação, insumos estratégicos para os EUA e produtos com tratamento especial. harvard
Mesmo assim, as exportações brasileiras atingiram níveis recordes em 2025, superando meses de tarifas punitivas impostas pelos EUA graças à expansão de remessas para a China e outros grandes parceiros comerciais, com total de US$ 348,7 bilhões no ano — aumento de 3,5% em relação a 2024 e o maior valor da série histórica iniciada em 1997. Bloomberg
O Brasil provou que sabe diversificar rotas. A questão agora é se conseguirá, desta vez, negociar para evitar que o tarifaço se repita — ou se as próximas semanas vão redesenhar novamente o mapa do comércio exterior brasileiro.

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