O Itaú adotou nova estratégia para esconder, em seu balanço, o prejuízo causado por empréstimos a empresas que não tinham condições de quitá-los. A postura vem depois de uma exposição de mais de R$ 21 bilhões somente em sete grandes recuperações judiciais nos últimos 10 anos. Boa parte disso virou pó.
Quando uma empresa entra em recuperação judicial, é produzida uma lista com os credores e a quantia que eles têm a receber. Só das Americanas, por exemplo, o Itaú era credor de R$ 2,7 bilhões. Da Ambipar, de R$ 632 milhões.
Esses valores entram no balanço do Itaú como inadimplência, dinheiro que o banco emprestou para uma empresa e não está recebendo de volta no prazo adequado.
Há dois anos, no fim do primeiro trimestre de 2024, o Itaú calculava que só as inadimplências classificadas como “problemáticas” de grandes empresas já chegavam a R$ 5,327 bilhões.
Ao jogar R$ 6,8 bilhões para debaixo do tapete, o Itaú não precisa incluí-los no balanço ou ter que discutir na Justiça a recuperação desses valores. A venda das carteiras rendem algum dinheiro para o banco, claro, mas em valores nunca revelados e, naturalmente, consideravelmente inferiores. A ideia é que é melhor receber 10 do que tornar público que tomou um calote de mil.
Além disso, as operações maquiam o custo do crédito para o banco, que se manteve em 2,6% durante todo o ano de 2025. Só a carteira de R$ 3,3 bilhões, se permanecesse no balanço, elevaria sozinha esse custo para 2,8% – acima, portanto, dos 2,7% de 2024.
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