O retorno às aulas nas universidades brasileiras reacende um debate que vem ganhando espaço na agenda da educação: garantir o acesso ao Ensino Superior já não é suficiente. Com a ampliação das políticas de inclusão e das ações afirmativas, mais jovens de baixa renda passaram a ocupar as universidades. Agora, o desafio é criar condições para que eles consigam permanecer até a conclusão da graduação.
Na prática, milhares de estudantes enfrentam uma rotina marcada por longos deslocamentos, necessidade de conciliar trabalho e estudo, insegurança alimentar, dificuldades financeiras e questões relacionadas à saúde mental. Em muitos casos, essas barreiras acabam levando à evasão, mesmo após a conquista da vaga.Os dados mostram a dimensão desse cenário. Pesquisa realizada pela Plano CDE para o Instituto Sol revela que, entre jovens de baixa renda da Região Metropolitana de São Paulo com perfil semelhante ao dos bolsistas atendidos pela instituição, apenas 17,7% conseguem ingressar no Ensino Superior. Entre aqueles que entram, somente 4% concluem a graduação sem algum tipo de apoio estruturado.
"Ampliar o acesso foi um avanço importante, mas a inclusão só se concretiza quando os estudantes conseguem permanecer na universidade e concluir sua formação. Políticas de permanência, como apoio para transporte, alimentação, moradia e assistência estudantil, são fundamentais para transformar o ingresso no Ensino Superior em oportunidades reais de desenvolvimento e mobilidade social", afirma.
Além dos desafios financeiros, a pesquisa aponta que fatores como o sentimento de não pertencimento, lacunas na formação básica e barreiras culturais também impactam a trajetória acadêmica desses estudantes, reduzindo as chances de conclusão da graduação. O levantamento ainda mostra o potencial transformador do diploma universitário. Jovens que concluem o Ensino Superior podem alcançar um aumento acumulado de renda de até R$ 2,6 milhões ao longo da vida, em comparação com aqueles que não obtêm a graduação.
Para Júlia Borges Lima, fortalecer políticas de permanência é o próximo passo para que a expansão do acesso às universidades resulte, de fato, em mais mobilidade social e redução das desigualdades.
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