A complexidade da infraestrutura e o avanço rápido da inteligência artificial (IA) são os principais desafios para combater as fraudes e acelerar as transações bancárias internacionais nos mercados emergentes. Enquanto nos países desenvolvidos são criadas plataformas críticas com o mesmo padrão, nos emergentes existem níveis diferentes de infraestrutura que permitem aos fraudadores mudar seus padrões de comportamento e navegar o sistema em busca de falhas.
Violas Xiao, CEO para Singapura e América Latina da XTransfer, fintech com 900 mil clientes B2B no mundo, defendeu no recente Web Summit Rio a necessidade das entidades de pagamento que atuam nos mercados emergentes de fortalecer sua tecnologia contra fraudes."Xiao discutiu como fintechs focadas em mercados como o brasileiro criaram IAs próprias para gerenciar transações suspeitas e manter a segurança e o compliance para os clientes.
No caso dos mercados emergentes, há diferentes níveis de atualização e, na maioria dos casos, a infraestrutura não é madura. Esse foi um dos motivos que fizeram a XTransfer levar quase 18 meses para desenvolver a base de dados e o perfilamento de clientes para a TradePilot, a primeira IA dedicada aos pagamentos transfronteiriços B2B.
A tecnologia foi capaz de reduzir o índice de fraude nas transações para 0,003%, um dos mais baixos da indústria. Para expandir em todo o mundo e acelerar processos, no entanto, Xiao considera que ainda é preciso maior participação das autoridades e das instituições financeiras. Hoje, uma transferência da XTransfer entre Brasil e China leva 50 minutos. A empresa processou transações desde e com o gigante asiático para quase 900.000 clientes em todo o mundo.
"Os pagamentos internacionais vão ser cada vez mais em tempo real. Para isso, é preciso que o mundo compartilhe informações com os mercados locais, assim como a regulamentação e o compliance", disse, citando como exemplo o sistema SWIFT.
Sobre o uso de IA nas operações, ela concordou que a tecnologia otimizou muitos processos, mas ainda é preciso um olhar humano para a realidade dos clientes. "A IA ainda não tem sentimentos humanos, como a empatia e a compaixão, por isso precisamos de expertise local. Entendemos que os nossos clientes precisam desse lado humano".
Com clientes em 90 países e 5,1% do market share global, a fintech sediada em Xangai processou US$ 60 bilhões em transações no ano de 2025, mais de duas vezes o volume total de 2023, levando a uma receita total de US$ 248,5 milhões. Com suas soluções, foi possível reduzir em 95% as tarifas e em 80% os custos de conversão.
No Brasil, o crescimento foi de 246% em 12 meses encerrados em janeiro de 2026, com metade das transações iniciadas em reais, em parcerias com outras instituições, como Ebanx, dLocal e Ouribank. Seus clientes são, principalmente, do comércio de eletrônicos, produtos manufaturados e bens de consumo, maquinaria industrial e e-commerce.
Ao abrir um escritório em São Paulo, o primeiro da América Latina, a empresa reforçou os laços com empresas locais e associações, como o Lide, e prepara mais investimentos em tecnologia para aprofundar a integração ao Pix e ao Open Finance. Nesta viagem ao Brasil, Xiao ainda se reuniu com autoridades e a iniciativa privada para discutir novas parcerias.
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