Negromonte Jr. deixa o PP sob pressão e sinaliza Podemos
A possível saída do deputado federal Mário Negromonte Júnior do Progressistas (PP) não é apenas mais uma troca partidária no tabuleiro político baiano. O movimento expõe disputas internas, rejeições estratégicas e um histórico familiar e judicial que continua a influenciar sua trajetória.
Nos bastidores, a decisão de deixar o PP já é tratada como irreversível. O destino mais provável é o Podemos — escolha que, longe de representar alinhamento ideológico claro, revela uma tentativa de sobrevivência eleitoral diante da reconfiguração das forças políticas no estado.
PSB fecha portas e evidencia tensão interna
Antes de avançar nas negociações com o Podemos, Negromonte Jr. buscou abrigo no PSB. A articulação, no entanto, encontrou resistência significativa, especialmente no entorno da deputada Lídice da Mata.
O motivo é pragmático: a entrada do parlamentar criaria uma disputa direta por votos dentro da mesma legenda, ameaçando a viabilidade eleitoral da chapa. Nos bastidores, o cenário foi descrito como potencialmente “suicida” para o partido.
Sem espaço político e diante do risco de isolamento interno, o PSB deixou de ser uma opção viável.
Podemos surge como alternativa estratégica
A migração para o Podemos aparece como saída tática. A legenda oferece menor conflito interno e maior margem para articulação individual — fatores decisivos em um sistema proporcional competitivo como o brasileiro.
Mais do que afinidade programática, a escolha indica uma tentativa de reposicionamento dentro de um campo político intermediário, com aproximações ao governo estadual, hoje liderado por Jerônimo Rodrigues, aliado do ministro Rui Costa.
Histórico judicial: investigações sem condenação
O passado judicial de Negromonte Jr. inclui episódios relevantes, sobretudo no contexto da Operação Lava Jato.
Ele foi indiciado pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Também chegou a ser citado em apurações relacionadas à tentativa de obstrução de justiça.
Apesar da gravidade das acusações, o desfecho foi favorável ao parlamentar:
Atualmente, não há registro consolidado de condenações criminais contra o deputado em instâncias superiores. Ainda assim, seu nome permanece associado a investigações de grande repercussão nacional.
O peso do sobrenome e o histórico do pai
A trajetória política de Negromonte Jr. não pode ser dissociada da figura de seu pai, Mário Negromonte.
Ex-ministro das Cidades, ele deixou o cargo após denúncias de irregularidades e foi posteriormente condenado em casos ligados a corrupção e ocultação de recursos ilícitos.
Esse histórico reforça um fator sensível:
Reconfiguração política e risco eleitoral
A saída do PP ocorre em um momento de reorganização partidária na Bahia, marcado por:
Nesse contexto, a movimentação de Negromonte Jr. indica mais do que uma troca de legenda — revela um cálculo político baseado em risco e sobrevivência.
A trajetória recente de Mário Negromonte Júnior combina três elementos centrais:
No campo judicial, embora não haja condenações atuais, o histórico de investigações e o legado familiar continuam a influenciar sua imagem pública.
No fim, a mudança partidária expõe uma realidade recorrente na política brasileira: decisões menos guiadas por ideologia e mais determinadas por viabilidade eleitoral — onde alianças, rejeições e históricos pesam tanto quanto votos.
/n Fonte: portaldafeira.com.br






