Um incêndio de grandes proporções atingiu, desde o início da madrugada desta segunda-feira, 11 de maio, uma fábrica de velas localizada na Rua Aulicieri Bazzato, no município de Mauá, integrante da região do Grande ABC Paulista. Segundo informações do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, cerca de 13 viaturas foram mobilizadas para o combate às chamas, distribuídas em três frentes de trabalho simultâneas. Até o fechamento desta edição, não havia registro de vítimas.
O Grande ABC Paulista, região que concentra um dos maiores parques industriais do país e que tem uma história profundamente entrelaçada com o desenvolvimento industrial brasileiro desde os anos 1950, é uma área de alta frequência de ocorrências de incêndio industrial em razão precisamente da densidade de instalações fabris, muitas delas operando com materiais inflamáveis, em um território urbanizado de forma densa e nem sempre com os afastamentos e as normas de segurança que as edificações industriais modernas exigem. Mauá, em particular, concentra indústrias petroquímicas, de manufatura e de transformação que fazem do município uma das cidades com maior risco de incidente industrial do Estado de São Paulo.
A fábrica de velas, produto que combina parafina, cera de abelha ou outros materiais graxos com pigmentos e aromas em processo de fusão e moldagem, pertence a uma categoria industrial de risco médio-alto do ponto de vista incendiário: os materiais utilizados na produção têm temperatura de inflamação relativamente baixa, e os depósitos de matéria-prima e produto acabado funcionam como combustível para a propagação acelerada do fogo. A rapidez com que as chamas se alastram em fábricas desse tipo exige resposta dos bombeiros em tempo mínimo para evitar que o fogo se espalhe às edificações vizinhas, objetivo que a mobilização de 13 viaturas em três frentes de trabalho simultâneas reflete com clareza.
O município de Mauá tem enfrentado, nos últimos anos, um processo de atualização de seu cadastro de riscos industriais e de revisão de seus Planos de Emergência Individual para instalações produtivas de maior vulnerabilidade. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb, exige de instalações industriais de risco elevado a elaboração e o depósito de Planos de Ação de Emergência, documentos que descrevem os procedimentos a serem adotados em casos de acidente, as rotas de evacuação, os equipamentos de combate a incêndio disponíveis e os protocolos de comunicação com os bombeiros e a defesa civil. A conformidade das instalações menores, como a fábrica de velas atingida nesta madrugada, com esses requisitos é objeto de fiscalização periódica, mas os recursos do Estado para cobrir a totalidade dos estabelecimentos industriais existentes no ABC Paulista nunca foram plenamente suficientes.
O fato de que o incêndio ocorreu na madrugada, quando as instalações presumivelmente não contavam com funcionários, é o elemento mais favorável do episódio e explica a ausência de vítimas registradas. Incêndios industriais noturnos têm, estatisticamente, menor probabilidade de causar mortes e lesões do que os que ocorrem durante a jornada de trabalho, precisamente porque a ausência de pessoas na planta no momento da ignição permite que o fogo se desenvolva sem o risco imediato de danos físicos às pessoas. Os prejuízos materiais, por outro lado, tendem a ser maiores, pois a detecção e o acionamento dos serviços de emergência levam mais tempo quando não há trabalhadores presentes para perceber e reportar o início das chamas.
A Polícia Civil de Mauá abrirá inquérito para apurar as causas do incêndio, que pode ter tido origem elétrica, por falha mecânica, por negligência no armazenamento de materiais inflamáveis ou, em hipótese que será investigada com igual rigor, por ação criminosa. A perícia do Instituto de Criminalística será acionada para coletar evidências do local assim que as condições de segurança permitirem o acesso dos peritos às instalações sinistradas, processo que pode levar algumas horas ou dias dependendo da extensão dos danos estruturais causados pelo incêndio.
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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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