O fenômeno meteorológico que os técnicos do Instituto Nacional de Meteorologia vêm acompanhando com atenção crescente desde o início desta semana materializa-se nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, sobre o território do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina com toda a intensidade prevista pelos modelos numéricos de previsão do tempo: um ciclone extratropical com características de ciclone-bomba, sistema que atingiu seu ápice de aprofundamento barométrico na madrugada de hoje, com pressão central caindo abaixo dos 970 hectopascais, avança em trajetória nordeste sobre a faixa costeira sul do país, trazendo consigo ventos que podem superar os 100 km/h em áreas descampadas e no litoral gaúcho e catarinense, precipitações acumuladas de até 120 milímetros em 24 horas em algumas bacias hidrográficas e risco real de granizo no centro e norte do Rio Grande do Sul.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul ativou seu mais alto nível de alerta desde os temporais de maio de 2024, que deram origem à maior tragédia climática da história do estado. A Secretaria Estadual de Habitação e Regularização Fundiária abriu preventivamente os abrigos temporários em 38 municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, do Vale do Taquari e do Vale do Rio Pardo, áreas que ainda carregam as cicatrizes físicas e emocionais dos eventos de dois anos atrás. O governador do estado decretou situação de emergência em 47 municípios de maior vulnerabilidade, medida que permite o acesso imediato a recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil e desburocratiza o acionamento de equipes de resposta.
Em Santa Catarina, o Centro de Monitoramento de Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden, emitiu alertas vermelhos para as regiões do Vale do Itajaí, Litoral Norte e Serra Catarinense. A memória das enchentes que afetaram o Vale do Itajaí em 2023 e 2011 torna a população dessas regiões particularmente sensível aos alertas, e as defesas civis municipais de Blumenau, Gaspar, Ilhota e Itajaí relataram, na manhã desta sexta, evacuação preventiva de pelo menos 2.000 pessoas das margens do Rio Itajaí-Açu. No Paraná, as bacias hidrográficas do Rio Iguaçu e seus afluentes recebem alerta laranja, com previsão de precipitações acumuladas entre 80 e 100 milímetros nas próximas 24 horas.
O timing do ciclone é particularmente problemático do ponto de vista logístico e humano. Este fim de semana do Dia das Mães, historicamente o de maior movimentação turística e familiar do primeiro semestre, tem seus deslocamentos comprometidos pela perspectiva de ventos fortes, chuvas intensas e eventuais interdições de rodovias. A concessionária Autopista Litoral Sul, responsável pela BR-376 e pela BR-101 entre o Sul de São Paulo e o Rio Grande do Sul, emitiu comunicado de alerta para motoristas e recomendou velocidade reduzida, distância de segurança reforçada e atenção especial às pontes e viadutos ao longo da rota, estruturas mais vulneráveis às rajadas de vento de alta intensidade.
A Anac enviou aviso preventivo às companhias aéreas operando nos aeroportos de Porto Alegre, Florianópolis, Joinville e Curitiba, alertando para a possibilidade de operações em condições de vento cruzado acima dos limites operacionais de determinadas aeronaves, o que pode resultar em desvios, atrasos e cancelamentos durante a tarde e a noite desta sexta e na manhã de sábado. Passageiros com voos previstos para a Região Sul neste fim de semana são orientados a verificar o status dos voos com suas companhias antes de se dirigir aos aeroportos. A RIOgaleão e o Aeroporto Internacional de Guarulhos informaram que eventuais desvios de aeronaves provenientes do Sul serão gerenciados pelos seus centros de controle de operações.
O ciclone desta semana é mais um capítulo da série de eventos meteorológicos extremos que têm afetado o Sul do Brasil com crescente frequência nas últimas décadas, padrão que os cientistas do clima associam ao aquecimento dos oceanos do Atlântico Sul e às alterações na circulação atmosférica produzidas pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa. A intensidade de ciclones extratropicais na faixa subtropical não é uniforme ao longo do tempo: os dados históricos do Inmet mostram um aumento na frequência de sistemas que atingem a intensidade de ciclone-bomba sobre o Prata e o Sul do Brasil desde os anos 2000, tendência que os modelos climáticos de longo prazo projetam como crescente nas próximas décadas. O Sul do Brasil, em outras palavras, precisará aprender a conviver com mais ciclones, mais intensos e mais frequentes, e isso exige não apenas preparação para a emergência imediata, mas planejamento territorial e de infraestrutura de longo prazo que hoje ainda está em fase embrionária.
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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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