R$ 30 milhões em festa e bilhões prometidos
Belém (PA) — A menos de dois meses da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), o Pará vive um paradoxo gritante: enquanto o governo estadual celebra investimentos bilionários e promove festas milionárias para marcar o evento, milhares de paraenses seguem sem acesso a saneamento básico, educação de qualidade e renda mínima para sobreviver.
O lançamento oficial da COP 30, realizado em Belém, custou aos cofres públicos cerca de R$ 30 milhões, segundo estimativas divulgadas pela imprensa local. O evento contou com shows, estruturas temporárias e recepção para autoridades nacionais e internacionais. O valor, equivalente ao orçamento anual de muitos municípios para saúde ou educação, reacendeu o debate sobre prioridades e transparência nos gastos públicos.
Promessas bilionárias
O governo do Pará e a Prefeitura de Belém anunciaram mais de R$ 4 bilhões em investimentos para preparar a cidade para o evento climático. Entre as obras previstas estão:
A promessa é que essas obras deixem um “legado permanente” para a população. No entanto, moradores e especialistas questionam se os projetos sairão do papel ou se seguirão o destino de outras obras públicas no estado — intermináveis, abandonadas ou superfaturadas.
Realidade social: o outro lado da COP
Enquanto os holofotes se voltam para a COP 30, os dados oficiais revelam uma realidade alarmante:
“É uma contradição brutal. O Pará vai sediar uma conferência global sobre sustentabilidade, mas não consegue garantir água potável e esgoto para sua população”, afirma a socióloga Ana Paula Mendes, pesquisadora da Universidade Federal do Pará.
Legado ou maquiagem?
A COP 30 pode, de fato, trazer benefícios econômicos e visibilidade internacional. Mas há receio de que os investimentos sirvam mais como maquiagem urbana do que como transformação estrutural. Obras iniciadas às pressas, sem planejamento adequado, correm o risco de se tornarem elefantes brancos — estruturas caras, subutilizadas e sem impacto real na vida dos cidadãos.
A população paraense, historicamente negligenciada em políticas públicas, observa com ceticismo. “Já vimos esse filme antes. Prometem mundos e fundos, fazem festa, e depois tudo para. O povo continua na lama”, diz Maria do Socorro, moradora da periferia de Belém.
/n Fonte: portaldafeira.com.br







