Operação Contenção a mais letal da história do Rio expõe crise entre governos
A megaoperação policial realizada nesta terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, terminou com 64 mortos — incluindo quatro policiais —, dezenas de feridos e 81 presos. Com mais de 2.500 agentes mobilizados, a ação foi batizada de Operação Contenção e já é considerada a mais letal da história da cidade, superando o massacre de Jacarezinho, ocorrido em 2021.
A Organização das Nações Unidas (ONU) se manifestou oficialmente, afirmando estar “horrorizada” com o número de vítimas e cobrando das autoridades brasileiras respeito aos direitos humanos.
O governador Cláudio Castro (PL) tem adotado uma política de enfrentamento direto ao crime organizado, com operações de grande porte ao longo do ano. Desde 2021, todas as ações mais letais no estado ocorreram sob sua gestão. Apesar das críticas de entidades de direitos humanos, Castro defende que a ausência de apoio federal o obriga a agir com os recursos disponíveis, mesmo que isso implique em confrontos de alta letalidade.
“Não podemos esperar. A população está refém do tráfico e das milícias. Se o governo federal não ajuda, o estado precisa agir”, declarou o governador em coletiva.
O ministro da Justiça, em entrevista à imprensa, afirmou que não houve solicitação formal de apoio federal, como envio de blindados ou tropas. No entanto, documentos enviados à Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que houve sim pedidos de apoio logístico e operacional por parte do governo estadual — negados por parecer técnico do próprio Ministério da Justiça.
A revelação gerou críticas e levantou suspeitas sobre uma tentativa de ocultar a inércia administrativa do governo federal. A ministra Gleisi Hoffmann, por sua vez, usou o episódio para pressionar o Congresso pela aprovação da PEC da Segurança Pública, que visa ampliar a atuação da União no combate ao crime organizado.
A operação provocou uma intensa troca de acusações entre o governo federal, o governo estadual e o Congresso Nacional. O presidente da Câmara, Hugo Motta, cobrou do Executivo federal um plano concreto contra facções criminosas. Já o Palácio do Planalto responsabilizou o Legislativo pela demora na aprovação de medidas estruturantes.
A ausência do presidente Lula durante a crise — em voo de retorno ao Brasil após agenda internacional — também foi alvo de críticas por parte da oposição, que apontou falta de liderança em um momento de comoção nacional.
Especialistas apontam que a operação escancara a falência da articulação entre os entes federativos na área da segurança pública. Enquanto o governo estadual age com força bruta, o governo federal se mostra hesitante, burocrático e politicamente paralisado.
A negação de apoio técnico, mesmo diante de pedidos documentados, levanta dúvidas sobre a competência e a transparência da gestão federal. Enquanto isso, cerca de 280 mil moradores das áreas afetadas seguem à mercê de tiroteios, bloqueios e escolas fechadas.
/n Fonte: portaldafeira.com.br







