Quando as enchentes devastaram o Rio Grande do Sul em 2024, foi o SUS que montou hospitais de campanha, coordenou a vacinação emergencial e ofereceu suporte psicossocial a milhares de desabrigados. Quando a crise humanitária atingiu o povo Yanomami em 2023, foi o SUS que entrou na floresta. Quando a Covid-19 varreu o mundo, foi o SUS — com sua rede de atenção primária, seus agentes comunitários de saúde e sua estrutura de vigilância epidemiológica — que organizou a maior campanha de vacinação da história do País.
Essas três histórias contam o que talvez seja o maior projeto coletivo da sociedade brasileira: o Sistema Único de Saúde.
Criado pela Constituição de 1988 e regulamentado pela Lei 8.080/1990, o SUS é, hoje, o único sistema público de saúde universal do planeta que cobre uma nação com mais de 100 milhões de habitantes de forma gratuita e integral.
Atende desde consultas de clínica geral na unidade básica de saúde do bairro até transplantes de órgãos nos grandes hospitais de referência. Responde a emergências pelo SAMU, previne doenças pelas campanhas de vacinação, distribui medicamentos pelo Farmácia Popular e chega às comunidades mais remotas pelos Agentes Comunitários de Saúde.
Os números mais recentes indicam um sistema em expansão.
O Farmácia Popular, relançado em 2023, passou a oferecer todos os medicamentos e insumos de forma 100% gratuita a partir de fevereiro de 2025.
O programa Brasil Sorridente reunia, até outubro de 2025, mais de 34 mil equipes de saúde bucal habilitadas em mais de 5 mil municípios. Na atenção especializada, o programa Agora Tem Especialistas abriu as portas de hospitais privados para pacientes do SUS, por meio de troca de dívidas tributárias das instituições por atendimentos públicos — uma solução criativa que amplia a oferta sem exigir novos hospitais.
A telessaúde emerge como uma das apostas mais promissoras: em 2024, foram realizados 2,5 milhões de atendimentos remotos, e a estimativa é que o serviço possa reduzir em até 30% as filas de espera por consultas e diagnósticos.
Para regiões como Norte e Nordeste — onde a distância dos grandes centros urbanos historicamente limita o acesso a especialistas —, a teleconsulta representa uma revolução silenciosa.
O objetivo do governo é universalizar o SAMU 192 até o final de 2026, com cobertura inclusive em territórios indígenas, com atendimento 24 horas e profissionais bilíngues.
Os avanços na ciência também merecem destaque. Em 2025, o Brasil publicou os primeiros resultados do ensaio clínico de fase 1 da SpiN-TEC, a primeira vacina 100% nacional contra a Covid-19. Para 2026, está previsto o lançamento da vacina do Instituto Butantan contra a dengue — de dose única e desenvolvimento inteiramente nacional — com prioridade inicial para profissionais de saúde.