Fruticultura baiana demanda solução diplomática diante do tarifaço dos EUA
Com previsão para entrar em vigor no próximo dia 1º de agosto, as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos à importação de produtos brasileiros representam uma ameaça a diversos setores da economia, com destaque para a fruticultura baiana. O alerta foi feito por Humberto Miranda, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb).
Segundo Miranda, o atual cenário macroeconômico exige uma ação diplomática urgente por parte do governo federal. “O que a gente espera é que os nossos governantes tenham consciência, equilíbrio, que pensem no Brasil, acima de tudo. Porque senão, essa conta vai parar no colo do povo brasileiro”, afirmou.
O tarifaço, anunciado pelo ex-presidente Donald Trump, deve onerar em 50% as exportações brasileiras para o solo norte-americano. Como consequência, Miranda apontou que alguns produtos já vêm registrando queda de preços, sendo a manga um dos principais afetados. A colheita da fruta ocorre entre agosto e setembro, principalmente no Vale do São Francisco, região que exporta cerca de 60% da produção nacional para os EUA.
“É um problema muito grave, houve politização de ambos os lados”, alertou o presidente da Faeb. Ele reforçou a urgência de um diálogo entre os países, pois a colheita é iminente e não pode ser adiada, lembrando que a produção de uvas também está sob risco.
Já para produtos como café e celulose, Miranda avaliou que a prospecção de novos mercados pode ser uma solução de curto prazo. No entanto, para a fruticultura, a resposta precisa ser imediata:
“Em relação à fruticultura, é realmente urgente que se construa uma solução diplomática, saudável, para a gente continuar produzindo e gerando”, concluiu.
Outros desafios do setor
Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (28), em comemoração ao Dia do Produtor Rural, o Sistema Faeb/Senar também tratou dos avanços e gargalos do agronegócio baiano, responsável por cerca de um quarto do PIB estadual.
Miranda defendeu a interiorização de recursos e destacou carências em infraestrutura hídrica, de transportes e energética, além da necessidade de ampliar a conectividade rural.
“A gente ainda tem muitos gargalos; a gente tem um transporte que é essencialmente rodoviário e que gera problemas para todos”, afirmou.
O dirigente também apontou a educação como uma frente de melhoria, defendendo uma abordagem mais conectada com a realidade local:
“Nós temos que ter uma educação contextualizada ao mundo que as pessoas vivem, à história do seu povo, com a perspectiva do empreendedorismo e sustentabilidade”.
Ao final, Miranda reforçou o papel ambiental do setor:
“Ninguém no país protege mais o meio ambiente do que o produtor rural brasileiro”.







