Lucro Recorde em Meio à Controvérsia
O C6 Bank anunciou um lucro líquido de R$ 1,049 bilhão no primeiro semestre de 2025, com um ROE de 43%, consolidando-se como uma das instituições financeiras mais rentáveis do país. A carteira de crédito expandida atingiu R$ 72,4 bilhões, com destaque para empréstimos consignados — justamente o segmento que está no centro das denúncias e ações judiciais.
Apesar do desempenho financeiro, o banco está envolvido em milhares de processos judiciais. Segundo o portal JusBrasil, há mais de 6.600 ações envolvendo o C6 Bank S.A., muitas delas relacionadas a contratos bancários e empréstimos consignados fraudulentos.
O MPF ajuizou uma ação civil pública para impedir que o C6 Bank realizasse empréstimos consignados sem autorização de beneficiários do INSS. A investigação revelou falsificação de assinaturas e descontos indevidos em folha de pagamento, afetando principalmente idosos e pessoas com deficiência.
Em Minas Gerais, o banco foi alvo de ações movidas pelos Procons de Uberaba e Visconde do Rio Branco. A Justiça chegou a suspender as atividades de crédito consignado do C6 Bank em 2022, após denúncias de empréstimos não autorizados. Um acordo posterior permitiu a retomada das operações, mediante compromissos de transparência e comunicação com os clientes.
No Amazonas, o MPAM propôs uma ação civil pública contra o C6 Bank por aplicar o chamado “golpe do consignado”. Idosos e pensionistas recebiam valores em suas contas sem solicitação, seguidos de descontos automáticos em seus benefícios. O MPAM pediu indenização de R$ 550 mil por danos morais coletivos
Apesar das denúncias e ações judiciais, o Banco Central do Brasil tem sido criticado por sua omissão regulatória. Embora o C6 Bank tenha autorização para operar como banco múltiplo, o BC recebeu centenas de reclamações sobre crédito consignado e não tomou medidas concretas para suspender ou fiscalizar as operações. O MPF chegou a afirmar que a autarquia “deixou de fiscalizar a instituição financeira com a qual mantém convênio”
O caso do C6 Bank expõe um paradoxo inquietante: enquanto acumula lucros bilionários e amplia sua base de clientes — hoje com mais de 37 milhões de usuários — a instituição enfrenta acusações graves de fraude, abuso de vulneráveis e negligência institucional. A aparente desconexão entre o sucesso financeiro e a responsabilidade social levanta um debate urgente sobre regulação bancária, ética corporativa e proteção ao consumidor.
/n Fonte: portaldafeira.com.br







