R$ 26 milhões em festas e estátuas, enquanto vidas esperam na fila: até quando, Paulo Afonso?
Em meio a cifras milionárias destinadas a festas, eventos e projetos estéticos, a realidade da saúde pública em Paulo Afonso revela um cenário alarmante: cidadãos lutando na Justiça para garantir o básico — o direito à vida.
Dados apontam que, apenas em 2025, a prefeitura teria destinado mais de R$ 21 milhões para festas e eventos, enquanto há previsão de mais de R$ 5 milhões para a construção de estátuas na cidade. O contraste com a situação da saúde pública é, no mínimo, revoltante.
Um caso recente escancara essa disparidade.
De acordo com decisão judicial do Tribunal de Justiça da Bahia, processo nº 8002826-46.2026.8.05.0191, uma idosa de 74 anos, portadora de diabetes, internada desde março de 2026 no Hospital Regional, precisou recorrer à Justiça para conseguir um procedimento urgente. A ação foi conduzida pela advogada Leana Bezerra Gomes Evangelista.
A paciente apresentava um quadro grave, com risco iminente de morte, necessitando de uma angioplastia e possível amputação em nível mais elevado do membro inferior.
Mesmo diante da urgência médica comprovada, o hospital local não possuía estrutura para realizar o procedimento, obrigando a família a buscar intervenção judicial.
A Justiça foi clara: havia risco de dano irreparável à vida da paciente. A decisão determinou, em caráter de urgência, que o Estado providenciasse a transferência imediata para uma unidade com capacidade técnica, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.
O caso não é isolado — ele representa um retrato do colapso.
GESTÃO SOB QUESTIONAMENTO
Enquanto pacientes aguardam regulação, exames e cirurgias, milhões são direcionados para eventos festivos e obras de apelo estético. A pergunta que ecoa nas ruas é inevitável: quais são, de fato, as prioridades da gestão pública?
A situação se agrava ainda mais quando se observa a contratação de uma empresa responsável pela gestão da saúde no município, que, segundo informações levantadas, acumula diversos processos judiciais e já foi alvo de investigação em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em outro município baiano, como Teixeira de Freitas.
Mesmo diante desse histórico, contratos milionários seguem sendo firmados.
REVOLTA POPULAR E SILÊNCIO OFICIAL
A insensibilidade da gestão diante de situações críticas como essa tem gerado indignação crescente na população. Famílias inteiras convivem com a angústia da espera, enquanto veem recursos públicos sendo aplicados em prioridades questionáveis.
A Constituição Federal é clara: saúde é um direito de todos e dever do Estado. No entanto, na prática, o que se vê é um sistema que só responde quando provocado judicialmente.
A QUEM INTERESSA ESSE DESCASO?
A pergunta que não quer calar permanece:
por que falta dinheiro para salvar vidas, mas sobra para festas e contratos suspeitos?
Até quando cidadãos de Paulo Afonso precisarão recorrer à Justiça para garantir atendimento médico básico?
A sociedade exige respostas — e, mais do que isso, exige responsabilidade.
Veja a lista de Gastos no ano de 2025 com festas e ventos em Paulo Afonso:
https://www.portaldafeira.com.br/envios/2026/04/10/61ae9334779bbbb4ae3c7c294513d47ca5179c41.pdf
/n Fonte: portaldafeira.com.br







