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Economia
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DIGIMAIS E MASTER: CRISE BANCÁRIA DE R$ 8,5 BILHÕES

março 23, 2026
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DIGIMAIS E MASTER: CRISE BANCÁRIA DE R$ 8,5 BILHÕES

O sistema financeiro brasileiro vive um momento de forte turbulência após a maior crise bancária dos últimos anos, que já culminou com a liquidação extrajudicial do Banco Master e agora expõe outro caso O sistema financeiro brasileiro atravessa um período de forte turbulência, marcado pela maior crise bancária dos últimos anos. A liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025 expôs práticas irregulares em instituições financeiras e agora coloca sob suspeita o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e do partido Republicanos.

Da falência do Master às investigações no Digimais

O caso Master revelou problemas graves em ativos financeiros, sobretudo em carteiras de crédito consignado, que resultaram em prejuízos bilionários. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) precisou honrar garantias superiores a R$ 40 bilhões, envolvendo ainda instituições como Will Bank e Banco Pleno.

Agora, a Justiça de São Paulo investiga o Digimais por práticas semelhantes. Relatórios de auditoria contratados por fundos de investimento apontam inconsistências significativas em ativos vendidos pelo banco. Um exemplo concreto envolve o fundo EXP1, que em fevereiro de 2024 adquiriu carteiras do Digimais no valor de R$ 650 milhões. A auditoria constatou que 22 mil dos 55 mil contratos eram falsos, representando cerca de R$ 500 milhões sem lastro, alguns vinculados a instituições já liquidadas, como Master e Reag Investimentos.

O Digimais chegou a oferecer carteiras alternativas, mas o fundo optou por não prosseguir, mantendo cautela quanto à origem dos ativos. A prática reforça preocupações sobre governança e transparência da instituição.

Desafios financeiros e riscos sistêmicos

Estimativas de mercado indicam que o patrimônio líquido do Digimais está negativo em aproximadamente R$ 8,5 bilhões, despertando atenção do Banco Central, do FGC e de analistas financeiros. A situação é comparável à do Master, envolvendo:

  • ativos de difícil avaliação;
  • auditorias com ressalvas;
  • emissão de produtos de alto rendimento, como CDBs com até 125% do CDI.

Em 2024, o banco passou por três auditorias externas, todas apresentando ressalvas importantes, especialmente na mensuração de cotas de fundos de direitos creditórios, gerando debate sobre a robustez da gestão financeira.

Contexto institucional e repercussões políticas

O histórico de executivos do Digimais, incluindo gestores com passagens por instituições já liquidadas, aumenta a atenção do mercado. Desde 2022, tentativas de venda da instituição foram bloqueadas ou negociadas sem sucesso, sob supervisão do Banco Central.

A vinculação política de Edir Macedo ao Republicanos e a sua influência na bancada evangélica do Congresso levantam discussões sobre a independência da regulação financeira diante de riscos que podem afetar todo o sistema.

O que está em jogo

O caso Digimais evidencia desafios estruturais de supervisão no sistema financeiro brasileiro, questionando:

  • transparência e governança corporativa em instituições menores;
  • proteção de investidores e depositantes;
  • responsabilidade regulatória frente a produtos financeiros complexos.

O desenrolar da investigação e eventuais medidas regulatórias serão cruciais para assegurar a estabilidade do mercado de crédito, a proteção dos depositantes e a confiança no sistema financeiro nacional.

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