Baronesas sufocam o Velho Chico: a crise invisível que ameaça o Rio São Francisco
O Rio São Francisco, conhecido como “o rio da integração nacional”, enfrenta uma ameaça silenciosa e devastadora: a proliferação descontrolada das baronesas (aguapés). O cenário, que já se tornou comum em trechos da bacia, é resultado direto da falta de saneamento básico e da poluição que despeja toneladas de nutrientes na água, transformando o rio em um caldo fértil para a multiplicação das plantas.
Em cidades como Paulo Afonso (BA), a superfície do rio está tomada por extensos tapetes de baronesas. O que poderia parecer apenas um fenômeno natural esconde um problema grave: a eutrofização, processo em que o excesso de fósforo e nitrogênio — vindos principalmente de esgoto sem tratamento — alimenta o crescimento explosivo das plantas aquáticas.
O resultado é dramático:
· Peixes morrem por falta de oxigênio.
· A piscicultura sofre prejuízos milionários.
· A navegação e o turismo ficam comprometidos.
· Comunidades ribeirinhas veem seu sustento ameaçado.
Dos 505 municípios da bacia do São Francisco, apenas um trata 100% do esgoto. O restante despeja resíduos diretamente no rio, transformando-o em um depósito de poluição. A ausência de políticas públicas eficazes e de investimentos em saneamento básico perpetua o ciclo: quanto mais esgoto, mais baronesas.
Especialistas apontam que a solução não está apenas em retirar as plantas da água — medida cara e temporária —, mas em atacar a raiz do problema:
· Saneamento básico: ampliar coleta e tratamento de esgoto.
· Gestão integrada: cooperação entre municípios e órgãos ambientais.
· Aproveitamento da biomassa: transformar baronesas em adubo, ração ou biocombustível.
· Educação ambiental: conscientizar população e agricultores sobre o impacto do descarte de resíduos e fertilizantes.
O Velho Chico, que já foi símbolo de vida e prosperidade, corre o risco de se tornar um rio sufocado pela poluição e pela negligência. A invasão das baronesas é apenas o sintoma visível de uma doença mais profunda: a falta de cuidado com o saneamento e a gestão ambiental.
Se nada for feito, o futuro do São Francisco será de águas verdes e mortas. Mas se houver ação coordenada e investimento sério, ainda há tempo de devolver ao rio sua força e dignidade.
/n Fonte: portaldafeira.com.br







